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5/01/2018

O que é “Batismo no Espírito” ou “Efusão do Espírito”?




Um dos pré-requisitos para ser membro de um Grupo de Oração é fazer um Seminário de Vida no Espírito Santo, momento em que por meio de orações, motivações e fé o participante se abre para uma experiência única com o amor de Deus principalmente durante a Efusão do Espírito, momento ápice do Seminário.
Mas o que é “Efusão do Espírito” ou “Batismo no Espírito”, se já fui batizado quando era ainda criança? Qual o significado deste batismo para o cristão?
Frei Raniero Cantalamessa em seu livro “Ungidos pelo Espírito”, nos ajuda a perceber o significado da realidade do “Batismo no Espírito” que voltou a surgir entre os cristãos, nos últimos tempos, entre as igrejas protestantes, e que depois, com a chamada Renovação Carismática, se expandiu por quase todas as igrejas cristãs, inclusive a Igreja Católica.
Para entender como um sacramento recebido no início da vida, na infância, pode de súbito inflamar-se de novo e voltar a irradiar tanta energia espiritual, ajuda-nos a recordar alguns princípios de teologia sacramental. A teologia tradicional conhece o conceito de sacramento “ligado” ou “impedido”. Diz-se ligado um sacramento que, mesmo sendo válido, não pode produzir seus frutos por causa de um impedimento. Um caso extremo disso é, por exemplo, o sacramento do matrimônio ou da ordem sagrada recebido em estado de pecado mortal. Ele não produz nenhuma graça de estado. Mas se, com a penitência, se retira o obstáculo, diz-se que o sacramento “revive” e confere sua graça própria, sem que seja necessário repetir o rito sacramental.
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Podemos aplicar analogicamente esse conceito ao batismo. Este é, em muitos casos um sacramento “ligado”, não por causa do pecado, mas em função da falta ou fraqueza da fé, que constitui um requisito especial. Fé e batismo sempre foram apresentados juntos no Novo Testamento: “Aquele que crer e se batizar será salvo”. Quando o batismo era administrado aos adultos, depois de uma conversão e da aceitação explícita de Jesus como Senhor, os dois fatores atuavam em conjunto, tinha lugar uma sincronização que acendia uma grande luz na vida das pessoas, como quando dois pólos, negativo e positivo, da corrente elétrica são postos juntos. Mais tarde difundiu-se a prática de batizar as crianças. Mas por muitos séculos isso não implicava um problema tão grave, porque, vivendo numa sociedade e numa cultura imersas na fé cristã, a Igreja antecipava a fé da criança, tornava-se garantia desta, à espera de que ela pudesse fazer formalmente seu ato de fé pessoal. Família, escola, sociedade a educavam – de forma melhor ou pior, entende-se, de acordo com a época e os lugares – na fé. Mas há tempos se sabe que a situação mudou e que são cada vez mais numerosos os casos de pessoas batizadas que não chegam nunca a contemplar o próprio batismo como necessário ato de fé. O batismo continua sendo um sacramento “ligado”. Trata-se de uma espécie de dom envolto numa caixa de presente, recebido no início da vida, no qual estão encerrados os títulos mais nobres (filhos de Deus, irmão de Cristo, membro do corpo místico, templo do espírito Santo …), mas que nunca foi aberto e que, portanto, permanece em grande parte não- ativado.
O batismo no Espírito é a ocasião em que a pessoa se converte, escolhe livre e pessoalmente Cristo como seu Senhor, confirma o seu batismo. É como quando o interruptor, permitindo a passagem da corrente, provoca o contato e faz que a luz se acenda.
Por esses motivos, é justo, repito, ver o batismo no Espírito em relação com o batismo-sacramento, como seu complemento ou renovação. Mas isso não é suficiente; ainda não me disse tudo. Vimos que a frase “batizar com Espírito Santo” não se refere apenas ao que faz Jesus no sacramento do batismo, abrangendo toda a sua obra e, em especial, Pentecostes. Não podemos explicar o atual batismo no Espírito unicamente como um efeito retardado do nosso batismo sacramental. Não é só o nosso batismo o que é “revivido” com este; também o são a confirmação, a primeira comunhão, o matrimônio, tudo. Trata-se de fato da graça de “um novo Pentecostes”. Uma iniciativa nova, livre e soberana da graça de Deus que se funda, como todo o resto, no batismo, mas que não acaba ai. Não faz referência apenas à iniciação, mas também ao desenvolvimento e à perfeição da vida cristã.
No dia que o papa Paulo VI recebeu pela primeira vez os representantes da Renovação Carismática Católica, no a no de 1975, no hino da Laudes do breviário havia uma frase de Santo Ambrósio: Laeti bibamus sobriam profusionem Spiritus, isto é, “Bebamos com alegria da abundância sóbria do Espírito”. Recordando esse detalhe, o Papa disse aos representantes que essas palavras podiam ser o programa da Renovação Carismática: fazer reviver na Igreja a época de entusiasmo e de fervor espiritual que tornou tão vibrante e forte a fé dos primeiros cristãos. O batismo no Espírito revelou-se, na realidade, um meio simples mas eficaz de pôr em prática esse programa. São infinitos os testemunhos de pessoas que fizeram a experiência. É uma graça que muda a vida.
O batismo no Espírito não é, portanto, o fim ou o “non plus ultra” da santidade; pelo contrário, ele entra no âmbito do que os doutores chamaram “as graças iniciais”. Ajuda a ser “fervorosos no Espírito” (Rm 12,11), isto é, a entrar no estado em que se realizam as ações a serviço de Deus “com solicitude constância e com alegria (São Basílio define assim o fervor espiritual).”
Ungidos pelo Espírito – Frei Raniero Cantalamessa- 2ª Edição: setembro de 1996

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