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10/11/2015

Nobel da Paz de 2015 vai para grupo que promove a democracia na Tunísia


LEANDRO COLON DE LONDRES

O Prêmio Nobel da Paz de 2015 foi concedido ao Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia.
A comissão do prêmio anunciou a decisão nesta sexta-feira (9) em Oslo, na Noruega.
O grupo político, destacou a comissão, foi criado em 2013 para acelerar o processo de democratização da Tunísia após os eventos de 2011, que levaram à queda do então ditador Ben Ali. Ressaltou-se que a coalizão estabeleceu um processo político alternativo e pacífico no momento em que o país estava à beira de uma guerra civil.
A escolha é uma surpresa porque na lista de favoritos estavam, entre outros, Papa Francisco, Angela Merkel, um padre da Eritreia e um médico congolês.
O grupo vencedor do prêmio é formado por quatro organizações: um sindicato (UGTT), a Confederação da Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia, a Liga dos Direitos Humanos do país e a Ordem dos Advogados do país.
"Foi um instrumento que permitiu à Tunísia, num espaço de poucos anos, estabelecer um sistema de governo constitucional que garante os direitos fundamentais de toda a população, independentemente do sexo, convicção política ou crença religiosa", destacou a comissão em Oslo.
"Essas organizações (que formam o quarteto) representam diferentes setores e valores da sociedade tunisiana. O quarteto exerceu seu papel de mediador e de força condutora para promover o desenvolvimento democrático pacífico na Tunísia com grande autoridade moral", ressaltaram os responsáveis pelo Nobel.


Após o anúncio em Oslo, o secretário-geral da UGTT, Houcine Abassi, disse à agência de notícias Associated Press que ficou "impressionado" com prêmio e ressaltou que os membros do Quarteto não esperavam ganhá-lo.
"É um prêmio que coroa mais de dois anos de esforços empregados pelo quarteto quando o país enfrentava perigos em todas as frentes", afirmou.
A organização do prêmio lembrou que a Tunísia foi o palco de origem da Primavera Árabe entre 2010 e 2011, série de reações populares que se seguiram em outros países da norte da África e do Oriente Médio naquele período.
"Em muitos desses países, a batalha por democracia e direitos fundamentais estagnou ou sofreu revés. A Tunísia, no entanto, tem visto uma transição democrática baseada numa sociedade civil vibrante com demandas por respeito aos direitos humanos básicos", disse a comissão.
O porta-voz da Organização das Nações Unidas em Genebra, na Suíça, acolheu a escolha do Quarteto tunisiano, dizendo ser necessária a presença da "sociedade civil para ajudar a pôr em marcha processos de paz".


O PRÊMIO
Ao todo, 273 indicações foram feitas este ano, perdendo apenas para 2014, com 278 candidatos.
Concedido desde 1901, o Nobel da Paz, um dos prêmios mais badalados do mundo, é escolhido por um comitê de cinco lideranças norueguesas –incluindo advogados e professores– indicadas pelo Parlamento local. Na demais categorias do prêmio Nobel, os vencedores são definidos por uma comissão de suecos.
A ideia é que a decisão seja unânime, mas, em caso de impasse, vale a maioria simples. Não há uma fórmula para a decisão - nem o conteúdo da lista de indicados nem os bastidores do processo costumam ser revelados.
A jovem paquistanesa Malala Yousafzai, por exemplo, era considerada imbatível em 2013, mas acabou levando em 2014, quando foi escolhida ao lado do indiano Kailash Satyarthi, ambos ativistas em defesa de jovens e crianças. A dupla dividiu um prêmio de US$ 1,4 milhão (R$ 5,3 milhões).
O Nobel da Paz nem sempre é concedido a pessoas: em 2012 coube à União Europeia celebrá-lo e à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) no ano seguinte. 

COLABORADORA: ISABELLE CUNHA

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