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11/26/2014

[OS FANÁTICOS RELIGIOSOS E O VITIMISMO]

COLUNA DO MURILÃO

[OS FANÁTICOS RELIGIOSOS E O VITIMISMO]

Todo o comportamento humano que existe dentro e fora do convívio com os demais, decorre da interpretação que nós temos da realidade. E nessa realidade que nossa mente interpreta, existem dois polos bastante distintos: aquilo que nós somos (nossa personalidade) e aquilo o que nos cerca (o mundo). É fato de que nossa postura na vida depende do modo como estabelecemos essa relação: a relação entre nós e os outros, entre nós e nossa família, entre nós e a sociedade, entre nós e as coisas, entre nós e o trabalho, entre nós e a realidade externa. A nossa maneira de sentir e de viver depende de como cada um de nós interpreta e interioriza a relação entre essas duas partes da realidade. E uma das formas que as pessoas aprendem ao se relacionarem com os outros, principalmente depois de alienados por alguma religião psico-prisional ou por maioria de votos, é a postura que designaremos nesse texto como "a vítima".

O que é ou quem é a vítima Murilão? Podemos saber quem é e dar meia hora de voadora nela?

Calma criançada, sem violência! A vítima é a pessoa que no geral, alienada por alguma religião ou por indução, se sente inferior à realidade do mundo em que vivemos. É a pessoa que se sente esmagada pelo “mundo diabólico” que existe do lado de fora dos templos; é a pessoa que se sente desgraçada diante dos acontecimentos e das provações; e é aquela que se acostuma a ver a realidade apenas pelo lado negativo e pecaminoso. Mas mesmo vendo tudo de maneira negativa, a vítima é sempre a conhecedora de tudo, e sabe o que não deve o que não pode e o que não dá certo na vida alheia. Isso porque antes dela conhecer o nosso mano Jesus e se autoproclamar salva (o), a pessoa que se faz de vítima era uma balzaquiana mais rodada do que catraca de balneário em feriadão, ou era o cara mais pegador que existia na cidade: aquele cara que bebia, fumava e passava o rodo em todas as mulheres ao seu redor, até mesmo depois de casado.

Só que a pessoa que se faz de vítima em geral, não passa de um (a) cego (a) psicoemocional que só consegue enxergar apenas a sombra da realidade, junto a uma incrível capacidade táctil para diagnosticar os problemas existentes ao seu redor. Há nela também, uma incapacidade estrutural de procurar o caminho das soluções e, dominada por essa incapacidade, ela transfere os seus problemas para os outros; transfere para as circunstâncias e para o mundo do lado de fora dos templos alienantes, a responsabilidade do que está acontecendo em sua vida. É como se essas pessoas estivessem dirigindo um carro, arrancassem o volante e entregassem ao passageiro, para que ele dirigisse o carro para elas. E mesmo que os alienados religiosos não queiram enxergar isso, esta é pura e simplesmente a postura da justificativa.

Porque essas pessoas têm a cara de pau de manter esse tipo de postura, Murilão?

Justificar-se por qualquer coisa que não tenham a capacidade de resolver, é o sinal de que essas pessoas não querem mudar ou de que já atingiram o nível máximo de suas vidas e não querem mais, por vontade própria, transcender níveis acima, porque agora é só esperar que Jesus mande a morte descer a foice e venha buscá-los. E enquanto esse dia não chega, acreditando que já estão isentos de todo o mal que fizeram no passado, para não assumirem seus erros no presente, eles apenas justificam-se, ou seja: eles transformam o que está errado em injusto e, de justificativa em justificativa, a alienação religiosa paralisa-os mentalmente, impedindo-os de crescer. A vítima é extremamente incompetente, imbecil e idiota, na sua relação com o mundo externo. Só que essas pessoas não querem acordar para a realidade de que, enquanto continuarem colocando a responsabilidade total dos seus problemas em outras pessoas e circunstâncias, estarão tirando delas mesmas a possibilidade de crescimento. E em vez disso, elas sempre vão procurar mudar as outras pessoas.

Mas de onde provém esse mal, Murilão? Isso é coisa do demônio?

Isso não tem nada a ver com o diabo e seus comparsas, pois se fosse, onde estaria nosso livre-arbítrio? Este tipo de postura provém do sentimento de solidão, que as pessoas que se fazem de vítimas, preencheram cegamente com a alienação religiosa. E então eles acabam não percebendo que os mesmos são responsáveis pela própria vida, por seus altos e baixos, seu bem e seu mal, suas alegrias e tristezas. É aí então que essas pessoas que se fazem de vítimas idealizam uma felicidade que fora implantada por algum estímulo externo, tornando-a 100% dependente da maneira como os outros agem. E como as pessoas não agem segundo o padrão alienado religiosamente de viver, que apesar de não terem vícios é um estilo de vida chato, porre e sem graça, eles sentem-se infelizes e sofredores, colocando em seus rostos uma máscara, vivendo mentalmente fechados, sem quererem evoluir, com a ideia de que já morreram para este mundo. E para piorar a situação, eles acham que a melhor maneira deles saírem dessa infelicidade é acreditando que são as pessoas não convertidas que podem dar a eles a felicidade, se convertendo e se alienando iguais a eles. E assim, passam seus dias mascarando a própria vida frente aos seus problemas, como um avatar defeituoso.

A postura de vítima é a máscara que as pessoas alienadas religiosamente usam para não assumirem a realidade difícil, quando ela se apresenta. É a falta de vontade de crescer, de mudar‚ escondida sob a capa da aparição externa, de "conversão instantânea", principalmente das mulheres que começam a passar de mão em mão logo cedo, a partir dos 15, e quando chegam aos 30, sabendo que agora são carne de quinta, para justificar sua leviandade, aderem a alguma religião alienadora e casam com algum virgem, puro e casto. Pois enquanto a catraca estava sendo rodada, o mesmo estava estudando e se tornando alguém de nome na sociedade. E essa é uma das maiores ilusões da vida: desejarem transferir para a realidade que não pertence a eles, sobre a qual não possuem nenhum controle, as deficiências da parte que também cabem aos mesmos, pois toda relação humana é bilateral: nós e a sociedade, nós e a família, nós e o que nos cerca. O maior mal que os alienados religiosamente fazem a si próprios é usarem as limitações de outras pessoas não-alienadas que também fazem parte de seus círculos sociais, para não aceitarem a parte negativa de seus erros presentes.

Assim, os alienados religiosos usam o sistema como bode expiatório para a sua acomodação no sofrimento. A pessoa que se faz de vítima é a pessoa que através da alienação religiosa, transformou a própria vida numa grande reclamação alheia. Seu modo de agir e de estar no mundo é sempre uma forma queixosa, opção que para ela é mais cômoda do que tentar fazer algo para resolver os problemas. A pessoa alienada religiosamente que se faz de vítima usa o próprio sofrimento para tentar controlar o sentimento alheio: ela se coloca como dominada, como fraca, para dominar o sentimento das outras pessoas. O que mais caracteriza esse tipo de pessoa é a sua falta de vontade de crescer.

Sofrendo de uma doença chamada perfeccionismo-divino, que é a não aceitação dos erros humanos e a intolerância com a imperfeição humana, a pessoa alienada religiosamente que se faz de vítima desiste do próprio crescimento, porque acredita já estar salva. Ela se tortura com a ideia perfeccionista de que agora só os que são alienados iguais a ela são perfeitos, apontando para os outros, defeitos piores do que os deles, com a imagem de como deveriam ser (roupas feias, cabelo feio, postura feia), e tortura também os outros relativamente, falando como as outras pessoas deveriam ser, esquecendo-se que nesta Terra, Deus deu livre-arbítrio para que cada um fizesse suas escolhas de acordo com o que lhes é mais agradável.

Só que há na pessoa que se faz de vítima, uma tentativa de enquadrar o mundo no modelo ideal que ele próprio criou através da alienação religiosa. E pode ter certeza de uma coisa: sempre que eles têm um modelo ideal na cabeça é para evitarem entrar em contato com a realidade. Recentemente, estava numa festa onde a maioria era alienada religiosamente, a pedido da minha esposa, e onde eu estava não passava correntes de ar. Reclamei do calor e um senhor de idade, vítima profissional com mania de pastor, abriu a boca. E ele poderia falar sobre aquecimento global, ecologia ou qualquer outro assunto que explicasse o porque de estar fazendo calor, mas não! O velho chato e insuportável abriu a boca pra dizer que "isso está acontecendo por causa da desobediência a Deus. As pessoas não querem se converter". E essa atitude só reforça a ideia de que a pessoa que se faz de vítima não se relaciona com as demais, aceitando-os como são, porque querem que os outros sejam da maneira que ela gostaria que fossem. Mas não dê muita importância não, porque é comum para eles, quererem que os outros sejam aquilo que eles não estão conseguindo ser, e desejam de maneira escancarada que o filho, a filha, a mulher e o amigo sejam o que eles mesmos não são.

Mas porque isso, Murilão?

Colocar-se como vítima é uma forma que os alienados religiosamente usam, para se negar diante da relação social humana. É como se eles fossem os sadios e puros, e os não-convertidos fossem os leprosos. Por esta postura, não estão presentes nas festas sociais, não se divertem, vivem de cara emburrada, fingindo sorrisos e criticam tudo pelas costas, se colocando na posição de que não valem nada e são apenas meros objetos da situação. Querendo ser o todo, colocam-se na situação de serem o nada, apenas para tentar dominar a alma do outro. Entretanto, as dificuldades e limitações do mundo externo fora dos templos são apenas mais um desafio ao seu desenvolvimento psicocultural, se assumirem o próprio espaço dentro da sociedade e estiverem presentes e atuantes dentro dele.

Por isso, quanto pior for um doente, mais competente deve ser o médico; quanto pior for um aluno, mais competente deve ser o professor. Assim também devemos pensar: quanto pior for o sistema ou a sociedade que nos cerca, mais competentes devemos ser como pessoas que fazem parte desta sociedade; quanto pior for nosso filho, mais competentes devemos ser como pai ou mãe; quanto pior for a nossa mulher, mais competentes devemos ser como marido; quanto pior for nosso marido, mais competentes devemos ser como esposa, e assim por diante. Desta forma, colocamo-nos em posição de buscar o crescimento e tomamos a deficiência alheia como incentivo para nossas mudanças existenciais. Só podemos crescer naquilo que nós somos, naquilo que nos pertence. A fantasia do (a) alienado (a) religiosamente está em querer converter o mundo inteiro para só assim eles serem felizes. Mas eles não querem aceitar que todos nós, independente de classe social, religião, credo, cor ou orientação sexual, temos parte na responsabilidade daquilo que está ocorrendo ao nosso redor. Não raras às vezes, atribuímos à sociedade atual, e ao mundo, a causa de nossas atribulações e problemas, e esquecemos que muitos de nós somos formadores de opinião e podemos sim modificar a maneira de pensar dos grupos, se assumirmos nossas limitações e quisermos crescer.

Talvez seja esta a mais comum das posturas da pessoa que se faz de vítima: generalizar para não resolver. Os problemas da nossa vida só podem ser resolvidos em concreto, em particular. Dizer, por exemplo, que somos pressionados pela sociedade a levar uma vida que não nos satisfaz, é colocar o problema de maneira insolúvel e fazer disso um círculo vicioso.

Todavia, perguntar a nós mesmos quais são as pessoas que concretamente estão nos pressionando para fazer o que nos desagrada, pode ajudar a trazer uma solução. Só podemos lidar com a sociedade em termos concretos e palpáveis. Conforme nos relacionamos com cada pessoa, em cada lugar, em cada momento, estamos nos relacionando com a sociedade, porque cada pessoa específica, num determinado lugar e momento, é única. E essa é a sociedade para nós, naquela hora. Os alienados religiosamente generalizam para não solucionarem, e como tudo aquilo que nos acontece está vinculado à realidade, todas as vezes que esses profissionais em justificativa quiserem encontrar desculpas, eles olham para a imperfeição externa.

O que eles não compreendem, é que colocar-se como vítima é economizar coragem para assumir a própria limitação humana, é não querer entender que a morte antecede a vida, que a semente morre antes de nascer, que a noite antecede o dia. A pessoa que se faz de vítima, transforma as dificuldades em conflito e a sua vida num beco sem saída. Porque ser vítima é querer fugir justificadamente da realidade, do erro, da imperfeição, dos limites humanos. Todas as evidências da nossa vida demonstram que o erro existe, existe em nós, nos outros e no mundo. Neurótica é a pessoa que não quer ver o óbvio. A pessoa que se faz de vítima é uma pessoa orgulhosa que veste a capa da humildade. O orgulho dela vem de acreditar que ela é perfeita e que os outros é que não prestam. Acredita o alienado religiosamente que, se o mundo não fosse do jeito que é‚ se sua esposa não fosse do jeito que é‚ se seus filhos não fossem do jeito que são, se o seu marido fosse diferente, ela estaria bem, porque ela, que se faz de vítima, é boa, os outros é que são ruins, têm deficiências, e apenas os outros têm que mudar.

Esse negócio de fazer o mal aos outros e depois se fazer de vítima, tem nome Murilão?

Esse jogo de fazer o mal e depois vestir a armadura de vítima do mundo chama-se de "Jogo da Infelicidade". A pessoa que se faz de vítima é uma pessoa que veste a capa da "falsa felicidade em Cristo". Mas por causa da alienação religiosa, sabe que sofre, pois não consegue mais se divertir e se libertar das correntes alienantes. E em consequência disso gosta de fazer os outros sofrerem com o sofrimento dela. E essa é a pessoa que usa suas dificuldades físicas, afetivas, financeiras, conjugais, profissionais, não para crescer, mas para permanecer nelas e, a partir disso, fazer chantagem emocional com as outras pessoas. Um exemplo disso é a manipulação emocional que um dos tios da minha esposa sofre da própria esposa, que se faz de vítima, é deficiente física e usa a deficiência para manipular o marido, se achando de vidro. Comumente vejo-o tirar a esposa de dentro do carro nos braços, pois a mesma fica com medo de sair e cair. A mesma se locomove com muletas, mas não é tão deficiente assim. Só que sua criação já começou errada, pois ela foi criada pela própria mãe como se fosse de vidro. E em consequência disso e com sua síndrome de vítima, usa sua deficiência para manipular as pessoas.

Para encerrar quero alertá-los de que no geral, a pessoa que se faz de vítima é a pessoa que ainda não se perdoou por não ser perfeita, vestiu uma falsa capa de perfeição e transformou o sofrimento num modo de ser, num modo de se relacionar com o mundo. É como se olhasse para a luz e dissesse: "Que pena que tenha a sombra...", é como se olhasse para a vida e dissesse: "Que pena que haja a morte...", é como se olhasse para o Céu e dissesse: "Que pena que haja o Inferno...". E se nega a admitir que a luz e a sombra são faces de uma mesma moeda, e que a vida é feita de vales, montanhas, subidas e descidas.

Caríssimos: não são as circunstâncias que nos oprimem, mas, sim, a maneira como nos posicionamos diante delas, porque nas mesmas circunstâncias em que uns procuram o caminho do crescimento, outros procuram o caminho da loucura e da alienação. As religiões, graças ao bom Deus, quando sadias, guiam para esse mesmo Deus que nos convida e convoca para a missão todos os dias. O que muda nelas é a disposição que as pessoas possuem para crescer e evoluir, ou para se conformar e morrer. Fuja das pessoas que se fazem de vítimas, pois elas te ferem sorrindo e ajudam você a se levantar de suas quedas te aplaudindo. E se você não sabe ainda se é uma vítima, olhe o mundo ao seu redor e se pergunte: é ele quem tem que mudar para que eu seja feliz, ou sou eu quem tenho de ser a mudança para que eu seja feliz?

PAZ E BEM.

Murilo Lilo Gomes.

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